Apenas dois exemplares desta "carruagem" motorizada sobrevivem hoje no mundo. Um que está no Museu Histórico Nacional e o outro no Deutsches Museum, na Alemanha.
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Em 1908, José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco (então ministro das Relações Exteriores do governo Afonso Pena), encomendou ao fabricante alemão quatro Protos, na cor azul, ao preço de 104 contos de réis. Junto com os carros veio um técnico para formar os primeiros motoristas brasileiros. Os veículos foram incorporados à frota oficial, para receber autoridades na Exposição Nacional e comemorar o Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas. Um ficou com a Presidência da República, outro com o Ministério da Guerra e dois com o Ministério das Relações Exteriores. O Barão do Rio Branco usou um deles até 1912, ano de sua morte. Hoje, restam apenas dois exemplares do Prontos no mundo. O brasileiro pertence ao acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, e é o único em perfeito estado. O outro, que está na Alemanha, não roda mais.

Luxo à moda antiga

O desing é nitidamente derivado das carruagens. São 4,45 m de comprimento e 2,12 m de altura, com o estofamento interno, a capota traseira e as sais laterais revestidas de couro. As portas da cabine têm fechaduras com pinos e os vidros podem ser levantados por alças com elos em metal. As iniciais R.E. pintadas na porta significam Relações Exteriores, ministerio o qual o carro pertencia.

Como o motorista viajava separado, os passageiros usavam uma mangeira ligada a uma corneta para falar com ele. Outra curiosidade: a alavanca de câmbio fica do lado de fora, ao lado do freio de mão. Já o acelerador e a regulagem manual do ponto de ignição (lembre-se: ainda não existia ignição automática) têm suas hastes localizadas no centro do volante. O estepe, por sua vez, fica preso no teto.

Ficha técnica

Produção: Sob encomenda, de 1905 a 1908
Carroceria: Por Jos Neuss, tipo Landaulet, de madeira, pára-lamas de aço
Construção: Dois lugares na dianteira e cabine isolada com assento para até quatro ocupantes mais dois strapotins para passageiros eventuais
Motor: 4560 cm3, quatro cilindros em linha em dois blocos de aço fundido e caixa de eixo de manivela com três mancais. Bloco e cabeçote em T fundidos em uma só peça. Duas válvulas externas ao bloco, adicionadas por dois comandos montados um de cada lado do virabrequim. Carburador vertical Claudel, ignição Bosch, lubrificação por gotejamento sobre mancais distribuída por reservatório central (sistema Friedmann), refrigeração a água
Potência: 35 cv a 1250 rpm ou 40 cv a 1400 rpm
Transmissão: Embreagem multidiscos banhada em óleo, caixa de câmbio com quatro marchas não sincronizadas
Suspenção: Eixo dianteiro de aço forjado, feixe de molas em ambos os eixos
Freios: Sistema mecânico, a tambor nas rodas traseiras
Vel. máxima: Aproximadamente 80 km/h
Consumo médio: 3,3 km/l