Ter um carro antigo, encarar o desafio de encontrar peças e acessórios originais e colocá-lo para rodar novamente é uma paixão que não conhece limites.

Quem tem uma Ferrari 355 do ano geralmente quer sair por aí, exibindo a máquina para admiração e a inveja do mundo. Mas quem tem uma Ferrari Dino 1973 prefere passar horas alisando a fera na garagem ou rodando nas ruas desertas no meio da noite. Deu para entender? Colecionar carros é o tipo de hobby curtido na maior parte das vezes solitariamente. A maioria dos colecionadores não dá entrevista, não revelas cifras de compra e venda e não permite que se encoste nem sequer um dedo em suas preciosidades, mesmo que seja para fazer carinho.

O empresário paulista Og Pozzoli é uma exceção. Ele deixa a sua coleção de 150 carros, reunida em quatro salões construídos especialmente para isso na chácara onde mora, seja fotografada. E dá detalhes de como comprou cada um deles. Só não peça para dar uma voltinha em seus carros. É que seu gosto vai além de simples admiração. " Separo dez carros numa garagem mais acessível e utilizo-os no dia-a-dia", conta, lembrando que todos os outros ficam suspensos em cavaletes, de forma a preservar a borracha dos pneus, muitas vazes originais, com mais de cinqüenta anos de uso.

O publicitário Mauro Salles, 66 anos, que se divide entre a presidência do conselho da agência Salles/DMB&B em São Paulo e a secretária do Partido da Frente Liberal (PFL) em Brasília, sempre que volta à capital paulista escolhe um de seus vários modelos da época para dar uma volta noturna. Para preservar os mais raros, entre eles um MG TC Midget, comprou um Fiat Topolino 1947 para passear com os netos.

Vale a pena?

Todo colecionador tem um pouco de restaurador. Alguns colocam a mão na massa, mas a maioria procura serviços especilizados, como o da oficina R & E, em São Paulo, cujo galpão está sempre lotado. São quinze anos de serviço prestados para quem quem pode pagar uma média de R$ 2 000 a R$ 3 000 por hora de restauração. "Não dá para pensar um orçamento menor do que R$ 50 000,00 para um serviço básico, que demande 25 horas dse mão-de-obra", explica Richard Flynn, um dos proprietários.

Como o maior prazer dos colecionadores é ter uma antiguidade "novinha" em folha, vale tudo para satisfazer essa paixão. Nem que seja para escondê-la na garagem ou na madrugada.

 

 


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